A ONU recomenda: descriminalize as drogas! Entre outras coisas básicas

A ONU recomenda: descriminalize as drogas. Todas. Não apenas a maconha. E respeite os direitos humanos, antes de tudo.
Ontem o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos publicou um estudo com recomendações sobre políticas de drogas, feito com base nas recomendações de diversos especialistas de vários países.
 
Eles recomendam fazer basicamente tudo ao contrário do que o Brasil está fazendo.
 
Quero destacar dois pontos muito relevantes para o nosso cenário atual. Um está nas conclusões, copiado na imagem abaixo: descriminalizar as drogas de modo geral, não uma ou outra. Parece básico, mas não para nossos ministros da Suprema Corte.
O outro é um trecho muito bom da introdução: na dúvida sobre obedecer convenções sobre drogas ou sobre direitos humanos, siga as de direitos humanos. Wow. Simples assim.
O documento também recomenda o fim das penas de morte para crimes de drogas, a garantia do acesso a medicamentos essenciais, a proteção especial a crianças e mulheres, o fim das prisões preventivas e arbitrárias e o direito a julgamentos justos. Parece piada, porque a gente não precisava ter a ONU dizendo isso, certo? Errado, precisamos, sim.
 
São só 16 páginas. Recomendo. Dá para baixar aqui nessa página do International Drug Policy Consortium.
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Sem tabu, Narcoturistas pedem apoio

Se tem algo mais perigoso que exagerar nas drogas é a proibição de falar sobre o assunto. Sem papo, não tem informação. E sem informação, os usuários se arriscam muito mais. Mas, felizmente, a coisa está evoluindo. Um bom sinal disso é essa série Narcoturistas, que está pedindo uma força no Catarse para realizar mais um capítulo de sua saga.

Cada episódio mostra uma aventura do Maconheiro Mascarado (também conhecido como Capitão Presença) em um país diferente. Dá pra ver, de cara, que eles não estão nem aí para o tabu.

Enquanto os investigam a flora de cada cidade, os viajantes sob efeito dão informações sobre dois temas principais: cultura canábica e turismo local.

É claro que, numa série que viaja, nem tudo é sério. Na verdade, é exatamente o contrário. Quase tudo é piada. Afinal, é um programa de turismo disfarçado de programa de programa sobre drogas disfarçado de programa de humor.

Eles já foram para Amsterdão e Chilangolândia, no México. Agora buscam apoio no Catarse para ir ao Uruguai, onde o Mujica legalizou. Será que o maconheiro vai tirar a máscara?

Achei o resultado hilário, e precisamos brincar para quebrar o tabu de verdade. Por isso eu já pinguei o meu Catarse.

Confira os links e diga você mesmo se eles merecem. Se for o caso, apoie aqui.

Narcoturistas en Amsterdão, onde eles são recebidos pelo rei da Holanda e fumam com gansos. https://www.youtube.com/watch?v=UhZbDp_3Qb8

Narcoturistas en Chilangolandia, México, tierra de la lucha libre, en busca de una pareja. https://www.youtube.com/watch?v=LOmid7Meh-c

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Legalizar aumenta o consumo? Estudo indica que isso não aconteceu no primeiro ano de vendas reguladas no Colorado

Saiu a primeira versão da pesquisa que o governo do Colorado vai fazer uma vez por ano para acompanhar o consumo de maconha após a regulamentação da droga no Estado. Desde o dia 1o de janeiro de 2014, maiores de 18 anos podem comprar a erva e produtos feitos com ela em lojas autorizadas. O resultado mostra 13,6% da população maior de idade usou a droga pelo menos uma vez nos últimos 30 dias – o que os estudos costumam chamar de uso corrente ou regular. Um terço destes usuários fuma todo dia.

Na comparação com a pesquisa nacional, o consumo não aumentou significativamente. Entre 2010 e 2103, o resultado para uso corrente oscilou entre 11% e 12,9% – apenas 0,7% de diferença para o resultado da pesquisa divulgada nesta segunda, sobre o uso em 2014.

A comparação não é totalmente válida, porque a pesquisa nacional usa outra metodologia. Só ao longo dos anos, analisando dados produzidos do mesmo jeito, vai ser possível ter uma ideia melhor do efeito da legalização sobre o uso no Estado.

E mesmo assim, se as pesquisas indicaram um aumento no número de usuários, teremos pelo menos duas interpretações possíveis: ou tem mais gente fumando, ou tem mais gente confessando que fuma. Afinal, quando a droga é ilegal, até funcionário do Ibope deixa o usuário com medo.

A pesquisa do Colorado revela algumas tendências que se repetem no mundo todo: existem mais usuários entre os homens do que entre as mulheres e, de modo geral, o uso diminui com a idade.

Uma exceção à regra é a idade média do primeiro uso: 18 anos. Na maioria dos países, a iniciação é mais precoce, por volta dos 15 anos. O que é uma boa pro Colorado, já que há estudos mostrando a maconha causa um prejuízo maior e talvez mais duradouro entre quem começa mais cedo.

Os dados de escolaridade revelam uma curiosidade: entre quem fez faculdade, mais gente já experimentou, mas menos gente usa regularmente. Entre quem não completou o high school (ensino médio dos EUA), menos gente prova a droga, mas uma fração maior passa a usar sempre. Ou seja, quanto menor a escolaridade, maior a probabilidade de a experiência virar hábito. Estudar protege, como indicam diversos estudos sobre prevenção.

Os resultados, em inglês, estão no site do governo do Estado. Estão em gráficos bem arrumadinhos, vale a pena conferir. https://www.colorado.gov/cdphe/marijuanause

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Reprimir (a informação também) mata mais do que usar.

ReprimirMataMais

Semana passada começou a circular na traseira de ônibus intermunicipais de São Paulo a campanha “Da Proibição Nasce o Tráfico”. Depois de circular por um mês sem problemas em busões do Rio de Janeiro, o Estado paulista censurou a campanha em 48 horas. Isso mesmo: censurou!

O argumento de que a campanha faz apologia ao uso de drogas é absurdo. Primeiro porque a campanha, de modo algum, diz algo a favor do uso. Apenas lembra que a proibição do comércio de drogas ilícitas mata mais do que usá-las.

Depois porque, mesmo que fosse um caso de apologia, a censura é absurda. Porque a liberdade de expressão é um direito constitucional e logo deveria estar acima desse embuste jurídico que é a acusação de apologia ao crime.

A interdição do assunto serve apenas para calar o debate sobre esse tema, tão necessário para um país que se vê às voltas com a corrupção epidêmica e a violência banalizada, que toda semana mata inocentes com balas perdidas. Como diz a própria campanha: quem ganha com isso? Eu posso dizer que não sou eu, nem é você, cidadão comuns que somos.

Mas, infelizmente, em tempos de bancadas evangélica e da bala e de manifestações pró-ditadura, prevalece aqui e ali – e muito fortemente em São Paulo – o espírito que a Folha descreveu bem em dois parágrafos do seu editorial de hoje.

“No tema das drogas, assim como em muitos outros, prevalece uma atitude cada vez mais estridente, voltada a sufocar qualquer opinião que se afaste da ortodoxia religiosa, da estreiteza conservadora e da ignorância repressiva.

Pretende-se impor sobre a vida pessoal, sobre os costumes e sobre a própria segurança pública a lei do preconceito, do medo e do tabu.”

A melhor resposta à censura é o barulho. Então, sugiro, solicito e recomendo: vamos compartilhar ao máximo os links e posts dessa campanha.

Se não é nos ônibus que as pessoas vão ver os cartuns provocantes de Angeli, Laerte e André Dahmer, que seja em todos os outros lugares desse Estado controlado por gente tão pobre de espírito e senso de cidadania.

Página oficial da campanha Da Proibição Nasce o Tráfico, com todos os cartuns.

Link da página da campanha Da Proibição Nasce o Tráfico no Facebook. Siga esse bonde!

Quemganha

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Teste polêmico com CBD da Hemp Meds não estava certo, segundo dono do laboratório responsável

Uma polêmica envolvendo a Hemp Meds, principal fornecedor de CBD para as famílias do Brasil, diz que os produtos desse fabricante contêm metais pesados. Agora, o pivô da polêmica desmente o principal argumento contra o fabricante.

A acusação, publicada em um dossiê do grupo Project CBD, se baseava num teste feito pelo laboratório americano Stewart Environmental. A Medical Marijuana Inc., dona da Hemp Meds, processou o laboratório por perjúrio. O pedido de indenização, de 100 milhões de dólares, é o primeiro grande processo envolvendo a indústria da maconha medicinal.

Em juízo, o dono do laboratório, David Stewart, admitiu sob juramento que o resultado citado na matéria era um exame preliminar, sem contraprova ou controle de qualidade. O laboratório também informou que resultado final do teste indicava níveis de metais pesados dentro dos limites tolerados.

O dono do laboratório também disse que recebeu a amostra do autor da reportagem, e não do fabricante. E que o resultado final – ignorado no dossiê – foi fornecido um dia depois do resultado preliminar. Ele explica em seu depoimento que o resultado preliminar não corrige interferências na leitura e que, por isso, é comum apresentar falsos positivos.

A informação é especialmente útil para pais que estão usando – ou que deixaram de usar – produtos da HempMeds para tratar seus filhos com epilepsia.

Essa notícia não foi publicada no Brasil, mas teve repercussão em blogs canábicos dos EUA, como estes (em inglês): 1, 2, 3 e 4.

Leia a íntegra da declaração de David Stewart aqui (em inglês).

A briga entre a Hemp Meds e o Project CBD não termina por aqui e provavelmente terá novos capítulos. Esta mesma novela ainda pode ter novos desdobramentos.

O que se pode concluir até agora é que, misturado a tantos interesses econômicos, há muito mais coisas entre o céu e a terra do que se diz por aí no Facebook.

 

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Bob Marley: 70 anos e três músicas para comemorar

Hoje, 6 de fevereiro de 2015, Bob Marley faria 70 anos. Podem até esquecer seu aniversário, mas ninguém esquece do ídolo. Mr. Robert é imortal. Não apenas por ter colocado o reggae de Kingtston no mapa. Marley também entrou para a história por usar e cantar a maconha como nenhum outro artista fez até hoje – algo igualmente importante para nossa cultura. Para homenagear o nascimento desse cara que tanto escreveu por paz, amor e igualdade – carências tão contemporâneas – posto aqui duas das músicas mais canábicas do aniversariante do dia. Afinal, de contas, este é um blog Psicoativo.

Kaya
Muita gente diz que essa é a música mais maconheira do Bob Marley. Faz sentido, quando a gente sabe que kaya é a palavra que ele usa para a erva.

Wake up and turn I loose
For the rain is falling
Got to have kaya now
For the rain is falling
I’m so high, I even touch the sky
Above the falling rain
I feel so good in my neighborhood, so
Here I come again

 

Easy Skaning

Nessa música, Marley pede licença para dar uma viajada e recomenda pegar leve. Redução de danos.

Excuse me while I light my spliff (spliff)
Good God, I gotta take a lift (lift)
From reality I just can’t drift (drift)
That’s why I am staying with this riff. (riff)
Easy skanking (skankin’ it easy)
Easy skanking (skankin’ it slow)

 

Catch a fire
Esse é o nome do primeiro álbum dos Wailers por uma gravadora inglesa, lem 1973. Lá dentro, na música “Slave Driver”, o “taca fogo” se repete como uma ameaça de escravos que cantam contra seu capataz, na memória de um negro liberto. Quer dizer, na música que ficou famosa com esse verso provocante, ninguém está falando em maconha. Já na capa do disco, parece que sim.

bob_marley_-_catch_a_fire_-_front

Slave Driver

 

E uma extra: Could You be Loved

Essa não fala de maconha, mas é uma das minhas preferidas. Recomendo!

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Bob Marley: 70 anos e três músicas para comemorar

Hoje Bob Marley faria 70 anos. Podem até esquecer seu aniversário, mas ninguém esquece do ídolo. Mr. Robert é imortal. Não apenas por ter colocado o reggae de Kingtston no mapa. Marley também entrou para a história por usar e cantar a maconha como nenhum outro artista fez até hoje – algo igualmente importante para nossa cultura. Para homenagear o nascimento desse cara que tanto escreveu por paz, amor e igualdade – carências tão contemporâneas – posto aqui duas das músicas mais canábicas do aniversariante do dia. Afinal, de contas, este é um blog Psicoativo.

Kaya
Muita gente diz que essa é a música mais maconheira do Bob Marley. Faz sentido, quando a gente sabe que kaya é a palavra que ele usa para a erva.

Wake up and turn I loose
For the rain is falling
Got to have kaya now
For the rain is falling
I’m so high, I even touch the sky
Above the falling rain
I feel so good in my neighborhood, so
Here I come again

 

Easy Skaning

Nessa música, Marley pede licença para dar uma viajada e recomenda pegar leve. Redução de danos.

Excuse me while I light my spliff (spliff)
Good God, I gotta take a lift (lift)
From reality I just can’t drift (drift)
That’s why I am staying with this riff. (riff)
Easy skanking (skankin’ it easy)
Easy skanking (skankin’ it slow)

 

Catch a fire
Esse é o nome do primeiro álbum dos Wailers por uma gravadora inglesa, lem 1973. Lá dentro, na música “Slave Driver”, o “taca fogo” se repete como uma ameaça de escravos que cantam contra seu capataz, na memória de um negro liberto. Quer dizer, na música que ficou famosa com esse verso provocante, ninguém está falando em maconha. Já na capa do disco, parece que sim.

bob_marley_-_catch_a_fire_-_front

Slave Driver

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