Primeiras vendas legais de maconha do mundo começam no Colorado

A principal notícia desse começo de ano, e desde já do ano inteiro, provavelmente, foi sobre o início das vendas de maconha legal no Colorado. Leia a tradução da reportagem publicada pelo The Denver Post, maior jornal do estado norte-americano, sobre o início das vendas na capital.

Foto: Seth McConnell/The Denver Post

Clientes provam cheiro de variedade de maconha no dispensário Denver Kush Club

PRIMEIRAS VENDAS LEGAIS DE MACONHA DO MUNDO COMEÇAM NO COLORADO

Por John Ingold, do The Denver Post

Numa reviravolta histórica no comércio da cannabis, as primeiras lojas do mundo licenciadas para vender maconha legalmente para qualquer pessoa maior de 21 anos abriram em Colorado na quarta-feira.

De Telluride a Denver, milhares de pessoas pegaram com alegria filas de horas para comprar maconha legal depois de apresentar nada mais do que sua carteira de identidade.

Ativistas pró-maconha saudaram o dia como um divisor de águas em seu esforço para derrubar as leis anti-cannabis. Os proprietários das lojas ficaram com medo de ficar sem estoque – vários disseram que a procura ultrapassou suas expectativas mais otimistas.

A polícia não relatou nenhum problema com as multidões, e funcionários do governo ficaram maravilhados com a calmaria das vendas.

No geral, o dia foi como ativistas pró-maconha esperavam: extraordinariamente, elas foram ordinárias, comuns.

“Esperei 34 anos por este momento”, entusiasmou Chrissy Robinson , que chegou em uma loja, a Evergreen Apothecary, em Denver, às 2 da manhã para estar entre os primeiros da fila. “Fumo desde os 14 anos. Chega de me esconder por aí.”

Funcionárias do dispensário Denver Kush Club organizam potes de maconha (Foto: Seth McConnell/The Denver Post)

Pelo menos 37 lojas em todo o estado foram totalmente licenciadas e abriram para vendas para maiores de 21 anos de acordo com autoridades e levantamento do Denver Post. As vendas poderiam começar às 8 horas, e ativistas – que fizeram campanha para a medida de legalização da maconha passar em novembro de 2012 – organizaram uma cerimônia da “primeira compra” na loja de 3D Cannabis Center, em Denver.

A loja se chamava “Dispensário Discreto de Denver, ” então sua mudança de nome fala bastante sobre a rápida evolução da indústria da maconha do Colorado, que começou a sério apenas cerca de quatro anos atrás. A proprietária da loja, Toni Fox, observou com o cuidado relógio conforme a hora de abrir se aproximava e dezenas de repórteres e fotógrafos se amontoavam em uma das pequenas áreas de compra de sua loja.

“São 8h”, disse ela. “Vou começar!”

O primeiro cliente foi Sean Azzariti, 32, veterano da guerra que ao Iraque, que fez campanha pela legalização da maconha e disse que usa a droga para aliviar os sintomas de transtorno de estresse pós-traumático. Sob uma cobertura de câmeras, Azzariti comprou um oitavo de onça (3,5 gramas) da variedade Bubba Kush e um pacote de trufas de chocolate com infusão de maconha.

“Feito!”, disse um Azzariti radiante no final da compra.

O custo foi de 59,74 dólares , incluindo 10,46 em impostos. Na parte inferior do recibo lia-se a mensagem “Obrigado por sua compra!”

“Estou confiante de que esse trabalho vai dar certo e que vai ser um bom exemplo de como os Estados podem regular a maconha”, disse a ativista Mason Tvert antes da primeira compra da loja. “Hoje, você verá pessoas ao redor do país comprando maconha. Mas só em Colorado elas poderão comprar em lojas como esta.”

Preocupações dos inimigos

Os opositores da legalização lamentaram o dia como o início de uma aventura desastrosa para Colorado. Profissionais de tratamento de drogas disseram que as vendas recreativas vão levar a aumentos na dependência de maconha entre adultos e crianças. Eles compararam a indústria nascente de maconha recreativa com as indústrias de tabaco e de bebidas alcoólicas e disseram esperar que ela gere danos semelhantes.

Kevin Sabet, ex- conselheiro da Casa Branca para as políticas de drogas, disse que quarta-feira marca o alvorecer do “Big Maconha” (alusão ao termo big tobacco, usado para se referir às grandes indústrias de cigarro).

“Em qualquer indústria do vício, como essa, a única maneira de ganhar dinheiro é fora do vício”, disse terça-feira.

Enquanto as vendas de maconha continuam ilegais sob a lei federal, nenhum lugar no mundo – nem Amsterdam – foi tão longe como Colorado para legalizar e regulamentar a venda de maconha. A lei permite que os residentes do estado comprem até 28 gramas de maconha e moradores de fora do estado, 7 gramas.

Ainda este ano, o estado de Washington quer lançar uma indústria similar à do Colorado. O Departamento de Justiça dos EUA decidiu não bloquear a legalização em nenhum dos dois estados, desde que os Estados implementem normas rígidas sobre as lojas.

Em um comunicado quinta-feira, o promotor federal do Colorado John Walsh disse que as autoridades federais “vão acompanhar de perto os esforços do Colorado para regular a maconha”. Ele disse que “o sistema de Colorado é um trabalho em andamento”.

Investigadores da Divisão de Fiscalização da Maconha do Colorado fizeram verificações de rotina em lojas por todo o dia. Em Denver, os funcionários municipais mantiveram um olho em tudo, também.

O vereador de Denver Charlie Brown disse que estava “agradavelmente surpreendido” pela grande e tranquila multidão que encontrou em uma visita ao Medicine Man, dispensário em Denver, onde as filas davam a volta no edifício e em um estacionamento.

“É uma espécie de alívio, francamente”, disse ele . “Isso poderia ter acontecido de um monte de maneiras diferentes. Até agora, ótimo.”

“O que eu amo sobre isso”, disse o vereador de Denver Albus Brooks, “é a tranquilidade da multidão. E a diversidade.”

A polícia de Denver disse que emitiu duas multas de consumo de maconha público, embora o porta-voz não soubesse se as advertências foram conectadas à venda de maconha.

Longa noite de viagem

Em Telluride, Lucas da Silva, da Geórgia, atravessou a noite e dormiu em seu carro com seu cão, Marley, antes de parar em frente à porta da Telluride Green Room, ao amanhecer. Algumas horas mais tarde, ele saiu da loja 180 dólares mais pobre, mas segurando 6 gramas de variedades de maconha Acapulco Gold, African Queen e Bubble Gum e vários comestíveis com infusão de maconha.

“Eu estou sem palavras”, disse ele. Em seguida, com os braços estendidos, gritou: “Feliz Ano Novo!”, disparando aplausos na fila.

“Eu acabei de participar da história”, disse ele. “Eu não posso acreditar. É uma bênção.”

Longas filas para comprar maconha legalizada pela primeira vez na história. No LoDo Wellness, foram até cinco horas de espera. (Foto: AAron Ontiveroz/The Denver Post)

Às 8 horas da manhã, as filas de clientes fora da maioria das lojas eram bastante curtas, mas com o dia elas cresceram. No meio da tarde, os clientes no Botana Care, em Northglenn, esperaram cinco horas para fazer suas compras. No LoDo Wellness, em Denver, a fila ia para fora do quarteirão, com uma espera de cerca de três horas.

Proprietário do edifício, Donald Andrews, olhou para a fila e clamou: “Isso é uma beleza!”

Um salto nos preços

As lojas estavam cobrando US$ 8 a US$ 14 por grama – e às vezes mais – o que é um pouco mais caro que os preços da maconha medicinal. Pelo menos uma loja aumentou seus preços no dia de abertura. Por medo de ficar sem estoque no dia da inauguração, várias lojas, incluindo a 3D Cannabis, impôs limites sobre a quantidade que cada cliente poderia comprar.

Do lado de fora do 3D Cannabis, no entanto, Brandon Harris, 24, não estava muito preocupado com o preço, os limites ou a espera. Ele e o amigo Tyler Williams, 24, disseram que dirigiram 20 horas direto de Cincinnati a Denver para o primeiro dia de vendas. Agora que estão aqui, Harris disse, não vão voltar para casa.

“Nós vamos ficar”, disse. “Vamos morar aqui.”

Os jornalistas do Denver Post Sadie Gurman, Steve Raabe, Zahira Torres, Eric Gorski e Jason Blevins contribuíram para essa reportagem.

Link da matéria original: http://www.denverpost.com/news/ci_24828236/worlds-first-legal-recreational-marijuana-sales-begin-colorado?source=email

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