Começou quente

Ainda na cerimônia de abertura do CID pintou a primeira polêmica. O deputado distrital Wellington Luiz, integrante da comissão de drogas da Câmara do Distrito Federal, começou tentando fazer média. “Entendemos que estamos perdendo essa guerra e é fundamental que a população reaja”. No meio do papo, porém, ele mencionou apoio à redução da maioridade penal. Uma ala da plateia começou a varia imediata e solenemente. Algumas pessoas chegaram a chamá-lo de fascista. Começou um bate-boca. “Se é um congresso, é preciso respeitar os posicionamentos. Fascistas são aqueles que não são capazes de discutir o que é melhor para o país e de ouvir outras opiniões.” Clima de torcida organizada. Ele encerrou seu papo e foi embora com sua comitiva, indignado.

Pelo tom dos participantes seguintes da cerimônia de abertura, e pela reação da plateia aos tópicos que eles citavam, ficou claro desde o primeiro momento que os participantes do CID são, na maioria:

– Totalmente a favor da descriminalização, e a maioria a favor da legalização da maconha.

– Contra a redução da maioridade penal.

– Contra a internação compulsória.

Outras frases muito aplaudidas na abertura:

“As velhas formas (de controle de drogas) não funcionam mais, precisamos discutir alternativas. É por isso que estamos aqui”, disse Humberto Verona, presidente do Conselho Federal de Psicologia, aplaudido com entusiasmo.

“Estamos precisando urgentemente desse debate sobre drogas no Brasil. Precisamos criar um campo de debate sem fundamentalismos e soluções prontas, e principalmente sem o terrorismo que tem cercado o tema no país”, disse Leon Garcia, coordenador da área de saúde mental, álcool e outras drogas do Ministério Saúde. Recebeu outra sonora salva de palmas.

“Esse debate não pode ser sequestrado pelas ciências medicas ou psicológicas e muito ,menos pelas religiões. Esse é um debate cultural. Infelizmente tenho sentido que o lado obscuro da força tem estado muito forte nessa Esplanada, mas quem sabe o que vai ser discutido aqui possa contaminar outras cúpulas.”

A abertura foi encerrada com muitos agradecimentos para o presidente da Comissão Organizadora, o neurocientista da UnB Renato Malcher, e uma palestra do professor da USP Henrique Carneiro, sobre a história das drogas. Logo mais posto um resumo dessa palestra (caso você ainda não tenha lido o capítulo de história do Almanaque… =P).

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2 respostas para Começou quente

  1. DAVI ALVES disse:

    Desculpem-me a ignorância no assunto, mas é que estou tentando aprender com os mais esclarecidos: gostaria que me explicassem melhor o fato da Holanda, depois de tanto tempo de liberação das drogas, agora ter um Parlamento que quer votar pela proibição novamente! Dizem (não sei se é verdade) que por lá a criminalidade vem aumentando, a saúde pública tem piorado por causa de pessoas com problemas de dependência química, a violência tem se tornado mais latente, a participação dos holandeses nos esportes tem caído e seus atletas enfraquecido, o binômio ensino-aprendizagem tem se deteriorado, etc. Não me levem a mal, mas só queria que alguém me desse uma explicação convincente, plausível, aceitável e racional. Ficaria muito agradecido se os nobres companheiros esclarecessem minhas dúvidas! Um abraço a todos!

    • tarsoaraujo disse:

      Davi, é fácil esclarecer suas dúvidas. A Holanda não quer acabar com seus coffee shops, apesar da pressão de Alemanha e França. A criminalidade aumentou? Quando? Bem, será que foi por causa do uso de maconha? Se for, o trabalho da polícia deve estar fácil, porque bandido que fuma maconha é mais fácil de pegar. Esse papo dos esportes, bem, não sei se eles têm ganhado menos medalhas do que nos anos 1970. Se é o caso, será que isso é consequência do uso de maconha, ou da escassez de Sucrilhos nos supermercados? Não sei. O certo é que em Londres eles ganharam mais medalhas que o Brasil. Será que é o caso de o Brasil usar mais maconha para se dar bem em 2016? Sobre o binômio ensino-aprendizagem, de onde você tirou isso? Me descola uma fonte convincente? Ficaria muito agradecido, companheiro. Abraço!

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