Drogas nas ondas

Kelly Slater, em foto de Grant EllisA gente sabe que esse negócio de antidoping é uma bagunça, uma hipocrisia. Diversos especialistas avisam que o doping é sempre mais moderno  que o antidoping.

Mais ou menos como os traficantes estão sempre um passo (ou uma avenida) à frente da polícia e os laboratórios clandestinos sempre um passo à frente da perícia e da lei.

O recente escândalo do ex-ciclista americano Lance Armstrong e de sua equipe deixa isso bem claro. Eles usaram drogas por anos a fio sem serem pegos. Armstrong foi sete vezes campeão da prova mais importante do ciclismo mundial e NUNCA rodou.

Mas é curioso ouvir de Kelly Slater, lenda viva do surfe, que o uso de drogas é comum no seu esporte. Especialmente porque ele diz que ninguém usa anabolizante ou eritropoietina para surfar mais forte ou mais tempo. Até porque “não existe uma droga que te faça surfar melhor”, disse ao Herald Sun. A turma usa droga é para se divertir mesmo.

Declaração interessante porque dá uma desmanchada naquela imagem de que surfista é tudo geração saúde, sanduíche natural e vitamina de banana. E lembra que as pessoas podem, sim, usar drogas, e não serem bombas-relógio autodestrutivas.

As coisas não são tão 8 ou 80 como o sensacionalismo de alguns jornais e médicos tentam nos convencer sempre que se fala de drogas. Quando se fala em uso de drogas ilícitas, principalmente, ou o cara não usa ou é viciado. Mentira. Existem mil tons de azul entre o fundo do mar e o clarão do céu, quando se fala de padrões de uso de qualquer droga. Isso está inclusive bem explicadinho no capítulo de saúde do Almanaque das Drogas.

Andy Irons (foto: hawaiimagazine.com)Voltando ao surfe, vale lembrar que o papo de Slater não grande novidade. A relação entre esse esporte e as drogas vem à tona de tempos em tempos. E os surfistas vão muito além do mix natureba de cerveja e maconha.

Em 2010, o tricampeão mundial Andy Irons, brother de Slater, foi encontrado morto num quarto de hotel. Causa da morte? “Overdose por ingestão de múltiplas drogas”. A autópsia revelou que o surfista tinha sedativos, cocaína e até traços de metanfetamina no sangue. Barra pesada.

Dadá Figueiredo (Foto: Rider)Aqui no Brasil, também tivemos um grande surfista doidão: Dadá Figueiredo. O cara usava de tudo, inclusive para surfar e nos campeonatos. Era um punk sobre as ondas, não estava nem aí para o establishment, as regras, as notas dos juízes. Mas acabou indo longe demais até trocar de vício e virar evangélico. Felizmente ele tá vivo, forte e deu a volta por cima. Essa história é muito boa e logo vai virar documentário. Quando chegar a hora eu conto mais sobre isso.

Agora vamos lá, que hoje vai dar a maior praia.

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