Você acha que o lugar de usuário de drogas é a cadeia?

Não importa qual é a sua resposta, vota lá na enquete que o site do Congresso nacional colocou no ar.

É um momento decisivo para se informar bem e debater sobre o tema – descriminalização, ô palavra difícil.

Como diz a matéria que o site  publicou junto com a enquete, há vários projetos de lei tratando sobre o tema, no Senado e no Congresso.

Alguns querem endurecer a vida do usuário e dos traficantes, outros querem acabar com essa história de tratar quem “usa dorgas” como se fosse bandido.

Eu, pessoalmente, sou a favor da descriminalização, assim como meus amigos da rede Pense Livre e do Viva Rio, que está tocando a campanha “Lei de Drogas, É Preciso Mudar“.

O objetivo da campanha é reunir o máximo de assinaturas em prol da causa, para encaminhar formalmente ao Congresso um projeto de  lei que mude a forma como usuários são tratados.

Quem quiser, pode ler a íntegra da proposta no site da campanha, mas os principais pontos são: criar um critério objetivo – a quantidade de droga portada – para distinguir usuário de traficante; não definir o porte de drogas para uso como um crime.

Por que sou a favor dessa mudança? Por que ela contribui para diminuir o estigma sobre quem usa drogas ilícitas, algo que aumenta a  probabilidade de elas procurarem ajuda, se quiserem largar o uso ou pelo menos conversar com alguém sobre eventuais problemas. Esse é o principal motivo.

Quem quiser continuar usando drogas, por sua vez, não vai ficar mais tão vulnerável à possibilidade de ser preso sob a acusação de tráfico – hipótese tão abominável quanto corriqueira, infelizmente.

De quebra, essas pessoas deixam de ser uma oportunidade para maus policiais interessados em explorar a ambiguidade da lei atual para fazer uma “caixinha”.

Hoje, se um cara está na pior por causa de drogas, ele hesita em procurar um médico ou hospital, com medo de ser preso, ou mesmo de conversar com os pais, com medo de ser castigado, expulso de casa, ter mesada cortada etc.

Em países onde o consumo de drogas injetáveis é maior, tem muita gente que começa uma overdose e acaba morrendo porque os amigos não chamam a emergência com medo da cadeia. Isso é fruto do preconceito e do estigma criado por  leis que tratam quem precisa de ajuda como criminosos.

Além disso, hoje quem “roda” com um baseado no bolso pode ser enquadrado como traficante e ficar preso até ser julgado, meses ou anos depois, se o delegado de plantão cismar que ele pretendia vender aquele cigarrinho de maconha. E tome injustiça, tome lotação nas cadeias, tome judiciário quase parando.

As duas mudanças na lei que citei acima acabariam com todos esses problemas e não criariam novos – está provado pela experiência prática de dezenas de países: não tratar usuário como criminoso não funciona como “incentivo ao uso” e não aumenta o consumo de drogas.

Esse fato, aliás, está bem explicadinho lá no capítulo Política do Almanaque das Drogas, onde escrevo sobre o tema em detalhes, sem puxar a sardinha ou dar essa minha opinião.

Bem, mas agora que expliquei como voto e porque voto assim na tal enquete do Congresso, recomendo que você pesquise o tema, converse com seus amigos, seus pais e formule seu próprio ponto de vista.

Só não se omita, porque “camarão que dorme a onda leva”. Não importa se você usa ou não usa drogas ilícitas, isso também lhe diz respeito, ainda que indiretamente. Então não deixe decidirem por você. Participe do debate. A hora é essa.

Quem quiser informações mais detalhadas por dar uma lida nesse documento preparado pela turma da Pense Livre para destruir alguns mitos. Ou comprar o Almanaque das Drogas, é claro. Lá tem tudo sobre essa discussão e muito mais.

Vai lá na enquete do Congresso.

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