Pílulas de drogas – Dênis na Colômbia, doideiras em Londres e policiais traficantes no Brasil

Ecstasy, a segunda droga mais usada em LondresNo domingo a Folha noticiou que a PF descobriu traficantes trabalhando dentro do Departamento de Narcóticos da Polícia Civil de São Paulo. Sim,  os traficas eram próprios policiais.

O inquérito ainda está rolando, mas o esquema indica que um “empresário” atraía traficantes internacionais interessados em trazer grandes quantidades de pó para o Brasil e os mandava direto para uma emboscada com os cúmplices policiais. Se alguém testemunhasse o bote, os gringos iam em cana. Se não, iam embora, deixando a droga com os “traficantes civis”. Numa apreensão de 178 kg, os agentes pegaram 140kg para seus “negócios pessoais”. Sem mistura, no varejo, essa droga vale pelo menos R$ 7 milhões. E essa foi apenas um caso flagrado pelos federais. Quantos não terão passado…

notícia não chega a ser uma surpresa – ao menos para mim. Não é toda hora que alguém do Denarc roda, é verdade. Mas a fama dos agentes de lá é grande entre traficantes de São Paulo. Dois dos que entrevistei na pesquisa para escrever o Almanaque os conheciam muito bem.

João*, que vendia pó de R$ 10 by delivery para engravatados no centro, disse ter rodado 14 vezes na mão deles. A “taxa padrão” era de R$ 10 mil, disse. Já Henrique*, vendia ecstasy na The Week. Quando rodou, os policiais que o pegaram obrigaram-no a vender cocaína também, uma versão high quality que eles mesmos forneciam – supostamente, essa que eles tomam dos traficantes. A cada semana, os agentes lhe davam 200 gramas por semana.

São histórias de traficantes, que só falaram sob a condição do anonimato – daí os defectíveis asteriscos. Será que os causos são verdadeiros? O que você acha?

Seja como for, é lamentável (pra todos nós) que essa suspeita exista, simplesmente. Afinal, muitos policiais honestos têm seu trabalho dificultado e a reputação de toda a categoria é maculada por esses corruptos.

Mas não custa lembrar que o corrupto só existe graças à combinação de um desvio de caráter com a lei que proíbe a droga. É ela que torna um extrato de folhas mais valioso do que ouro, e seu comércio, exclusividade de bandidos.

Será que vale a pena proibir?

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COLOMBIANOS MUDERNOS

Se você acompanha este blog, sabe que a Colômbia está bem mais madura que o Brasil no que diz respeito a políticas de drogas mais justas e redutoras de danos. Nos últimos meses contei aqui como eles confirmaram a descriminalização da maconha e da cocaína e que em breve eles querem fazer o mesmo com as drogas sintéticas.

Neste post do blog da rede Pense Livre, o colega Denis Russo Burgierman, autor de “O Fim da Guerra”, conta como viu a maturidade dos colombianos com seus próprios óculos, direto de um encontrão de especialistas e autoridades em Bogotá.

Torço para que o pressentimento do Denis esteja certíssimo.

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LONDRINOS MUDERNINHOS

Agora, moderninhos mesmos são os ingleses. Em Londres, o pessoal da Time Out, famosa revista internacional de programação cultural, fez uma pesquisa sobre drogas.

O mapa no Google Maps ficou meio sem graça: ele só mostra o índice de detenções por drogas em cada distrito. Obviamente, a maior parte acontece nas regiões centrais da cidade.

Mais curioso é notar que lá se usa mais bala (ecstasy) do que cocaína. Também não é surpresa. Afinal, longe dos Andes e perto de belgas e holandeses, principais produtores de MDMA do mundo, é claro que a “droga do amor” seja muito mais barata e acessível que a “droga do alerta”.

A parte qualitativa, feita com aspas de anônimos, está mais divertida. Quando se pergunta onde se usa o quê, a primeira resposta é “Cocaína. Nos banheiros da Casa dos comuns (parlamento). Sério!” Pode até ser na terra do Monty Python, mas… quem duvida?

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