Se eu quiser fumar um tronco e sair dando gargalhada na calçada… Desde quando gargalhada afeta o destino da nação?

Mônica Bergamo noticia que STF votará descriminalização neste semestre e Ricardo Boechat chama proibição das drogas de idiotice

Quarta-feira rolaram duas notícias muito boas em cinco minutinhos de rádio, na Band News FM.

A primeira é que o Supremo Tribunal Federal deve votar a descriminalização das drogas ainda neste semestre, segundo Mônica Bergamo, colunista da Folha de S.Paulo e da rádio. E essa informação é confirmada por diversos colegas da rede Pense Livre.

A outra é que, diante da notícia, o jornalista Ricardo Boechat fez um discurso contundente a favor da legalização das drogas. O âncora do programa foi claro e objetivo, nada de meias palavras.

Repare: se você não é a favor nem da descriminalização nem da legalização, também pode comemorar os fatos como boas novas. Primeiro, porque o STF tratar da questão, por si só, mostra que ela está recebendo a atenção que merece. Depois, porque é muito raro uma pessoa pública se manifestar a favor da legalização no Brasil. Finalmente as pessoas estão tomando coragem para defender publicamente essa posição. E sem essa coragem o debate não poderia amadurecer. É preciso diálogo aberto.

Agora, se você é a favor da descriminalização, pode soltar os fogos. E pode se refestelar com o depoimento de ambos, transcritos abaixo. Publico o principal trecho da Mônica e a íntegra do “editorial do Boechat.

***

STF VAI VOTAR DESCRIMINALIZAÇÃO NESTE SEMESTRE

“Conversei com alguns ministros que disseram que isso será colocado em pauta ainda nesse semestre e eu arriscaria, Boechat, que a tendência do supremo tribunal federal é pela descriminalização das drogas. Elas continuariam proibidas, porém o usuário apanhado não seria mais penalizado de forma alguma”, diz Mônica. E entra Boechat:

BOECHAT SE REFERE À PROIBIÇÃO COMO IDIOTICE

“É um avanço, ainda que no meu modesto ponto de vista seja um avanço tímido.

Na verdade, a discussão que tá colocada no horizonte, e algum dia teremos que lidar com ela, é a que você abordou no início e a que eu colocaria. A primeira é a questão de fundo. O que tem o Estado, o que tem as leis, o que tem a sociedade, a ver com as práticas que eu adoto dentro do meu ambiente, dentro da reserva dos meus espaços, com meus amigos, ou sozinhos, o que quer que seja, desde que isto que o faço privadamente não produza conseqüências públicas que interfiram no direito, na vida, e na tranqüilidade dos demais.

Se eu quero em casa apertar um baseado, fumar um tronco e sair dando gargalhada pela calçada… Desde quando gargalhada afeta o destino da sociedade e da nação?

Se eu quiser consumir outro tipo de droga, e isto não produz consequências a terceiros, o que tem terceiros a ver com isso?

Essa é uma questão, portanto, que remete à maturidade com que as sociedades olham para si mesmas e para seus cidadãos.

Eu confesso a vocês que já tenho idade suficiente para fazer o que acho que devo fazer e responder pelas conseqüências.

Eu não acho que um legislador ou deputado deveria se meter comigo nesse aspecto da minha individualidade, da minha soberania sobre mim mesmo.”

“Exatamente”, diz Mônica Bergamo, concordando.

“A segunda questão é com o modelo: o modelo coletivo, geral, internacional que a própria ONU está discutindo.

O modelo de lidar com as drogas no mundo é um modelo que sempre se baseou na repressão. Na criminalização e na repressão. E foi um fracasso. É um fracasso!”

Mônica faz um aparte: “O consumo aumentou 35% de 1998 a 2008, esse é outro dado citado”.

“É um fracasso! É um fracasso objetivo!

E essa criminalização, que chama de tráfico aquilo que poderia ser comércio, faz com que se alimente uma grande maquina de corrupção, uma grande máquina de desumanidade, uma grande máquina de injustiças, no campo policial, judicial, prisional.

Em algum momento o mundo vai dizer quanto tempo perdemos com essa idiotice.

Use-se esse esforço financeiro e humano todo, aí sim, para se construir estruturas nacionais que saibam lidar com as consequencias sanitárias desse problema, se elas se apresentarem.

Porque afinal de contas se você permite que uma pessoa tome um litro uísque com 18% ou 20%* de teor alcoólico, e sabendo da relação do álcool com muitas mazelas criminais, e o álcool está permitido, então significa que a sociedade sabe lidar com isso de alguma maneira, estabelecendo controles.

Mas, enfim, o supremo dirá se vai descriminalizar ou não o consumo.”

* O Almanaque das Drogas adverte: na verdade, o uísque tem de 40% a 44% de álcool, o dobro do citado por Ricardo Boechat.

Ouça aqui a íntegra do bate-papo entre os dois jornalistas, que rolou na quarta-feira.

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Uma resposta para Se eu quiser fumar um tronco e sair dando gargalhada na calçada… Desde quando gargalhada afeta o destino da nação?

  1. Fábio Carvalheira disse:

    Enquanto o tráfico for rentável ao governo haverá proibição, no máximo háverá uma ”legalização” da venda sob impostos como qualquer produto num mercado. E os problemas que sempre foram atrelados às drogas resolvem-se apenas com mudanças e investimento pesado no sistema de educação e social. Exermplos pelo Planeta Terra não faltam.

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